sábado, 26 de maio de 2012

Cinderela Mudou de Ideia



Com humor, delicadeza e profundidade, “A Cinderela Mudou de Ideia” desconstroi o mito de que, para ser feliz, uma mulher precisa esperar por um príncipe que a salve.       

E viveram felizes para sempre? Uma sentença incansavelmente ouvida por todas as mulheres durante toda a vida, desde a infância, em filmes, novelas, livros... Uma sentença que pressupõe (ou determina) que todas têm o mesmo sonho e que, sem um príncipe que as salve, não há como ser feliz.

Nossa Cinderela se vê sufocada dentro de um sonho que ela não planejou, mas ao qual se submeteu por acreditar que seria o melhor para sua vida, afinal, o que mais uma mulher pode querer? Mas, enfim surge o dia em que ela conhece a fada do Chega! e descobre que uma mulher pode e quer muito mais.

Ela, então, decide descalçar os sapatinhos de cristal, descer do salto alto e partir em uma agradável viagem na qual descobre um mundo muito maior que a faz sentir completa pela primeira vez em sua vida.

http://www.editoraplaneta.com.br/descripcion_libro/6212

Desdobrável. Eu sou.

 

O encontro é mais cedo, bem mais cedo porque a aprendizagem é extensa. Logo de manhã cedinho, nos encontramos em frente a escola, hoje é dia de atravessar a cidade rumo ao Museu de Língua Portuguesa e Pinacoteca do Estado de São Paulo. As alunas estão na rua, na descoberta de um território estranho. Tudo é novidade, deslumbramento, fome avassaladora pelo conhecimento.


No caminho, uma conversa ansiosa, perguntas intermináveis e olhos aflitos. As meninas não se continham na imensidão da terra da garoa. O dia estava nublado. Passamos pela Estação da Luz, tiramos fotos e reparamos ao nosso redor. Um lanche antes do passeio acalma a fome. Passamos primeiro pela Pinacoteca e, livres, circulamos pelos corredores, observando detalhes dos quadros e esculturas e toda arte que respirava no ambiente. Minhas alunas tocavam, testavam a textura, respiravam os pensamentos, movimentavam-se soltas, absortas num mundo novo. 


No Museu de Língua Portuguesa, nem consigo descrever o que foi vivenciar a descoberta do mundo das palavras com aquelas pequenas. Os sentimentos transformados em sons e desenhos carinhosos, brilhando no telhado da sala. Abraços sinceros, daquelas que compartilharam o elo da existência humana – a linguagem. Gosto muito de todas vocês.




Ellen Oléria!



Ellen Gomes de Oléria, mais conhecida como Ellen Oléria (Brasília, DF, 12 de novembro de 1982) é uma cantora, música, compositora e atriz brasiliense.

Nascida em Brasília, foi criada no Chaparral, região entre Taguatinga e Ceilândia. Inicialmente interessada mais em instrumentos, começou cantando em coros de igreja, por influência dos pais. Iniciou a carreira de cantora aos 16 anos. Como atriz, formou-se em artes cênicas pela UnB, (2002-2007).

Com uma voz marcante, ela mistura bossa nova, funk, hip-hop, MPB, samba, soul, e poesia nas letras e melodias próprias. Além de abrir e participar dos shows de vários artistas como Lenine, Paulinho Moska, Chico César, Ney Matogrosso, Margareth Menezes, Milton Nascimento, Sandra de Sá (com quem dividiu o palco nas comemorações do aniversário de 50 anos de Brasília), participou também do DVD comemorativo de 25 anos de carreira do rapper GOG, Cartão Postal Bomba!, além de também participar no álbum Aviso às Gerações.

Ouça as músicas dela!
http://www.myspace.com/ellenoleria


 Eu não compactuo com esse jogo sujo,
Grito mais alto ainda e denuncio esse mundo imundo!
A minha voz transcende a minha envergadura.
Conhece a carne fraca? Eu sou do tipo carne dura.

É dia de trabalhar!



Chegamos de todos os cantos, a pé, de braços dados pelo campo de futebol improvisado, de terra batida, pela lateral da escola. O dia é importante. É dia de nos reunirmos para debater um tema muito importante: a mulher no mercado de trabalho.

O movimento feminista trouxe muitos avanços para a emancipação feminina, principalmente por sua reivindicação ao direito de exercer funções públicas, além da esfera privada ao qual estavam relegadas. A independência financeira é o pilar da liberdade construída nesses anos e anos de luta. Para nós, meninas-futuras-trabalhadoras, é muito importante sabermos qual o é o panorama social trabalhista e as condições de inserção da mulher no mercado de trabalho.

 

Sobre o vídeo “Mulheres Invisíveis” que assistimos hoje, debatemos sobre a desvalorização da mão-de-obra feminina no mercado de trabalho e suas causas. Mulheres que desempenham um papel importantíssimo na construção da sociedade mas que ganham salário inferiores, acumulam dupla jornada de trabalho, recebem menos incentivos – sintoma paradoxal, já que as estatísticas demonstram uma grande profissionalização.



Em “Vida Maria”, animação brasileira produzida por Márcio Ramos, o universo feminino é mostrado em suas peculiaridades, num singelo ciclo de existência. É a aridez do sertão, em sua perpetuação da dor e o contraste da imensidão do céu. O pedido de benção e a proibição de desenhar nomes... O debate posterior levantou questões interessantes: que destino é esse imposto a todas nós, mulheres? Que sistema desigual é esse que nos relega a uma sina tão desigual?

Com licença poética
Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Brave!

Fiquem ligadas! Em breve estreia a animação "Valente"!

Sinopse: A jovem princesa Merida não quer saber da vida de realeza e não gosta nem de pensar em ser apenas mais uma esposa para o filho de algum lorde. Indo contra as tradições e os costumes, ela desafia seus pais ao perseguir o sonho de se tornar uma arqueira e, com isso, coloca em risco o reinado de seu pai, o Rei Fergus.



Saciadas de risadas!



            Todas nós estávamos ansiosas por hoje. Nosso encontro foi no Balneário, espaço recreativo próximo a escola. É um lugar agradável, com muito verde e um clima agradável de descontração. Acordamos mais cedo, pães assando, bolos perfumados, sucos geladinhos, pudim caramelizado para revitalizarmos nossos ideias. De dentro da cozinha, tomamos posse das saborosas sobremesas. Um banquete estava a nossa espera.

            Fizemos a leitura de um texto que explica o que são os danos que causam doenças como bulimia e anorexia. Os relatos foram tensos e as fotos chocantes. Parecia impossível observar como tantas mulheres sofriam vítimas de um padrão de beleza opressor e assassino. Ficou claro nosso desconforto, a relutância em admitir tamanha atrocidade para com o corpo feminino – a busca inalcançável pelo o que não somos. E como isso nos enfraquece, nos engessa para vivermos uma existência mais leve e saudável. Ficamos doentes para ficarmos lindas, como um enfeite, um objeto sem vida? E será que admitiremos isso por mais tempo? Será em breve nossa revolução interior?


            Comemos toda a comida e nos lambuzamos com o caramelo do pudim de leite, feito com tanto carinho. Sanduíches para matar a fome persistente, já era quase meio dia. Combinamos fazer um passeio no próximo sábado. Temos novas integrantes no grupo e o passeio será uma boa oportunidade para estreitar os laços que nos une.

Fonte:
http://sindromedeestocolmo.com/category/ana-e-mia-anorexia-bulimia/page/3/

Linguagem e Feminismo



            Tivemos duas semanas de intervalo entre as reuniões porque a escola esteve fechada para a Jornada Pedagógica, onde somente os professores e coordenadores participam. O dia foi conturbado e muitas alunas não puderam comparecer, nossa reunião ficou menor, porém não nosso entusiasmo. Em verdade, a conversa iniciou-se fraca e desanimada; quando o grupo é maior sentimos uma energia mais mobilizadora – precisamos retomar com mais força nossa luta.

            O primeiro tópico foi o uso do genérico masculino como o eleito pela norma culta da linguagem – e também dominante – como ferramenta de exclusão da fala feminina principalmente pelos discursos de poder. Ao invisibilizar o gênero feminino, demarcando bem as diferenças nos nomes atribuídos as coisas, apagamos a fala da mulher e suas reivindicações da fala universal.

            Estudamos também como o direito de decidir e, portanto de falar, foi-nos negado durante séculos quando éramos proibidas de nos manifestar publicamente. Além do mais, debatemos as medidas possíveis e as que ainda não foram inventadas para mudarmos isso, afinal, a linguagem, tal qual um líquido, irá se adaptar as mudanças infladas pelo debate.

            Ao universalizarmos nossa dor, poderemos olhar mais atentamente para o que nos constitui como indivíduos. Cada uma de nós multiplicou as possibilidades de vivências no processo de reconstrução de uma linguagem que consiga abarcar o sentido mais amplo de igualdade. Os significados são tantos; precisamos decifrá-los.
 
"Concretizamos o sexismo em dois efeitos fundamentais: o silêncio e o desprezo. Por um lado, o ocultamento das mulheres, nosso silêncio, nossa não existência. Estávamos escondidas detrás dos falsos genéricos: esse masculino que havíamos aprendido na escola, “abarca os dois gêneros”.
Tereza Meana Suárez

Fonte:
http://mulheresrebeldes.blogspot.com.br/2009/04/sexismo-na-linguagem-algumas-notas.html