Com humor, delicadeza
e profundidade, “A Cinderela Mudou de Ideia” desconstroi o mito de que, para
ser feliz, uma mulher precisa esperar por um príncipe que a salve.
E viveram
felizes para sempre? Uma sentença incansavelmente ouvida por todas as mulheres
durante toda a vida, desde a infância, em filmes, novelas, livros... Uma sentença
que pressupõe (ou determina) que todas têm o mesmo sonho e que, sem um príncipe
que as salve, não há como ser feliz.
Nossa
Cinderela se vê sufocada dentro de um sonho que ela não planejou, mas ao qual
se submeteu por acreditar que seria o melhor para sua vida, afinal, o que mais
uma mulher pode querer? Mas, enfim surge o dia em que ela conhece a fada do
Chega! e descobre que uma mulher pode e quer muito mais.
Ela, então, decide
descalçar os sapatinhos de cristal, descer do salto alto e partir em uma agradável
viagem na qual descobre um mundo muito maior que a faz sentir completa pela
primeira vez em sua vida.
O encontro é
mais cedo, bem mais cedo porque a aprendizagem é extensa. Logo de manhã
cedinho, nos encontramos em frente a escola, hoje é dia de atravessar a cidade
rumo ao Museu de Língua Portuguesa e Pinacoteca do Estado de São Paulo. As
alunas estão na rua, na descoberta de um território estranho. Tudo é novidade, deslumbramento,
fome avassaladora pelo conhecimento.
No caminho,
uma conversa ansiosa, perguntas intermináveis e olhos aflitos. As meninas não
se continham na imensidão da terra da garoa. O dia estava nublado. Passamos pela
Estação da Luz, tiramos fotos e reparamos ao nosso redor. Um lanche antes do
passeio acalma a fome. Passamos primeiro pela Pinacoteca e, livres, circulamos
pelos corredores, observando detalhes dos quadros e esculturas e toda arte que
respirava no ambiente. Minhas alunas tocavam, testavam a textura, respiravam os
pensamentos, movimentavam-se soltas, absortas num mundo novo.
No Museu de Língua
Portuguesa, nem consigo descrever o que foi vivenciar a descoberta do mundo das
palavras com aquelas pequenas. Os sentimentos transformados em sons e desenhos
carinhosos, brilhando no telhado da sala. Abraços sinceros, daquelas que
compartilharam o elo da existência humana – a linguagem. Gosto muito de todas
vocês.
Ellen Gomes de
Oléria, mais conhecida como Ellen Oléria (Brasília, DF, 12 de novembro de 1982)
é uma cantora, música, compositora e atriz brasiliense.
Nascida em
Brasília, foi criada no Chaparral, região entre Taguatinga e Ceilândia. Inicialmente
interessada mais em instrumentos, começou cantando em coros de igreja, por
influência dos pais. Iniciou a carreira de cantora aos 16 anos. Como atriz, formou-se
em artes cênicas pela UnB, (2002-2007).
Com uma voz
marcante, ela mistura bossa nova, funk, hip-hop, MPB, samba, soul, e poesia nas
letras e melodias próprias. Além de abrir e participar dos shows de vários
artistas como Lenine, Paulinho Moska, Chico César, Ney Matogrosso, Margareth
Menezes, Milton Nascimento, Sandra de Sá (com quem dividiu o palco nas
comemorações do aniversário de 50 anos de Brasília), participou também do DVD
comemorativo de 25 anos de carreira do rapper GOG, Cartão Postal Bomba!, além
de também participar no álbum Aviso às Gerações.
Ouça as músicas dela!
http://www.myspace.com/ellenoleria
Eu não compactuo com esse jogo
sujo,
Grito mais alto ainda e denuncio
esse mundo imundo!
Chegamos de
todos os cantos, a pé, de braços dados pelo campo de futebol improvisado, de
terra batida, pela lateral da escola. O dia é importante. É dia de nos
reunirmos para debater um tema muito importante: a mulher no mercado de
trabalho.
O movimento
feminista trouxe muitos avanços para a emancipação feminina, principalmente por
sua reivindicação ao direito de exercer funções públicas, além da esfera
privada ao qual estavam relegadas. A independência financeira é o pilar da
liberdade construída nesses anos e anos de luta. Para nós,
meninas-futuras-trabalhadoras, é muito importante sabermos qual o é o panorama
social trabalhista e as condições de inserção da mulher no mercado de trabalho.
Sobre o vídeo “Mulheres
Invisíveis” que assistimos hoje, debatemos sobre a desvalorização da mão-de-obra
feminina no mercado de trabalho e suas causas. Mulheres que desempenham um
papel importantíssimo na construção da sociedade mas que ganham salário
inferiores, acumulam dupla jornada de trabalho, recebem menos incentivos –
sintoma paradoxal, já que as estatísticas demonstram uma grande
profissionalização.
Em “Vida Maria”,
animação brasileira produzida por Márcio Ramos, o universo feminino é mostrado
em suas peculiaridades, num singelo ciclo de existência. É a aridez do sertão,
em sua perpetuação da dor e o contraste da imensidão do céu. O pedido de benção
e a proibição de desenhar nomes... O debate posterior levantou questões
interessantes: que destino é esse imposto a todas nós, mulheres? Que sistema
desigual é esse que nos relega a uma sina tão desigual?
Fiquem ligadas! Em breve estreia a animação "Valente"!
Sinopse: A jovem princesa Merida não quer saber da vida de realeza e não gosta
nem de pensar em ser apenas mais uma esposa para o filho de algum lorde.
Indo contra as tradições e os costumes, ela desafia seus pais ao
perseguir o sonho de se tornar uma arqueira e, com isso, coloca em risco
o reinado de seu pai, o Rei Fergus.
Todas
nós estávamos ansiosas por hoje. Nosso encontro foi no Balneário, espaço
recreativo próximo a escola. É um lugar agradável, com muito verde e um clima
agradável de descontração. Acordamos mais cedo, pães assando, bolos perfumados,
sucos geladinhos, pudim caramelizado para revitalizarmos nossos ideias. De
dentro da cozinha, tomamos posse das saborosas sobremesas. Um banquete estava a
nossa espera.
Fizemos
a leitura de um texto que explica o que são os danos que causam doenças como
bulimia e anorexia. Os relatos foram tensos e as fotos chocantes. Parecia impossível
observar como tantas mulheres sofriam vítimas de um padrão de beleza opressor e
assassino. Ficou claro nosso desconforto, a relutância em admitir tamanha
atrocidade para com o corpo feminino – a busca inalcançável pelo o que não somos.
E como isso nos enfraquece, nos engessa para vivermos uma existência mais leve
e saudável. Ficamos doentes para ficarmos lindas, como um enfeite, um objeto
sem vida? E será que admitiremos isso por mais tempo? Será em breve nossa
revolução interior?
Comemos
toda a comida e nos lambuzamos com o caramelo do pudim de leite, feito com
tanto carinho. Sanduíches para matar a fome persistente, já era quase meio dia.
Combinamos fazer um passeio no próximo sábado. Temos novas integrantes no grupo
e o passeio será uma boa oportunidade para estreitar os laços que nos une.
Tivemos
duas semanas de intervalo entre as reuniões porque a escola esteve fechada para
a Jornada Pedagógica, onde somente os professores e coordenadores participam. O
dia foi conturbado e muitas alunas não puderam comparecer, nossa reunião ficou
menor, porém não nosso entusiasmo. Em verdade, a conversa iniciou-se fraca e
desanimada; quando o grupo é maior sentimos uma energia mais mobilizadora –
precisamos retomar com mais força nossa luta.
O
primeiro tópico foi o uso do genérico masculino como o eleito pela norma culta
da linguagem – e também dominante – como ferramenta de exclusão da fala
feminina principalmente pelos discursos de poder. Ao invisibilizar o gênero
feminino, demarcando bem as diferenças nos nomes atribuídos as coisas, apagamos
a fala da mulher e suas reivindicações da fala universal.
Estudamos
também como o direito de decidir e, portanto de falar, foi-nos negado durante
séculos quando éramos proibidas de nos manifestar publicamente. Além do mais,
debatemos as medidas possíveis e as que ainda não foram inventadas para
mudarmos isso, afinal, a linguagem, tal qual um líquido, irá se adaptar as
mudanças infladas pelo debate.
Ao
universalizarmos nossa dor, poderemos olhar mais atentamente para o que nos
constitui como indivíduos. Cada uma de nós multiplicou as possibilidades de
vivências no processo de reconstrução de uma linguagem que consiga abarcar o
sentido mais amplo de igualdade. Os significados são tantos; precisamos
decifrá-los.
"Concretizamos o sexismo em
dois efeitos fundamentais: o silêncio e o desprezo. Por um lado, o ocultamento
das mulheres, nosso silêncio, nossa não existência. Estávamos escondidas detrás
dos falsos genéricos: esse masculino que havíamos aprendido na escola, “abarca
os dois gêneros”.